Análise da Morfodinâmica de Praias de Enseada a Partir de Imagens Aéreas Verticais. Caso de Estudo: Praias do Estado de Santa Catarina e do Litoral Norte do Estado de São Paulo.

Lucas Ferreira da Silveira, Antonio Henrique da Fontoura Klein, Moysés Gonsález Tessler

Resumo


Este trabalho apresenta resultados da classificação morfodinâmica de praias de enseada do Estado de Santa Catarina (158 praias, do Cabo de Santa Marta à Ilha de São Francisco do Sul) e do Litoral Norte do Estado de São Paulo (133 praias, da Baía de Santos à Ubatuba), realizada indiretamente através de interpretação de imagens aéreas. Para isso foram construídos mosaicos georeferenciados com imagens do satélite QuickBird2 (para o Estado de Santa Catarina) e com fotografias aéreas verticais (para o Litoral Norte do Estado de São Paulo). Nas imagens foram analisadas a extensão das zonas de surfe e de espraiamento, presença de bancos, correntes de retorno e cúspides. Praias dissipativas apresentaram zonas de surfe e espraiamento extensas (> 100 m) e presença de sistemas de bancos múltiplos. Nas praias intermediárias foi observada uma extensão moderada das zonas de surfe (até 100 m) e espraiamento (até 10 m), além da presença de bancos rítmicos, correntes de retorno e cúspides. Já nas praias refletivas foi observada a ausência de zona de surfe (com a quebra de ondas ocorrendo na face da praia), zona de espraiamento estreita (< 10 m) e presença de cúspides. No Estado de Santa Catarina foi observado o domínio de praias refletivas. Essas praias dominam as regiões abrigadas, mas também ocorrem em locais expostos e com sedimento grosso. Seu domínio ocorre associado às baías Norte e Sul de Florianópolis, além da região da Costa Brava (da praia de Mata Camboriú à de Taquaras/Taquarinhas), que é exposta a ondas de maior energia. Praias intermediárias e dissipativas ocorrem predominantemente em regiões expostas. No Litoral Norte do Estado de São Paulo houve um equilíbrio entre praias refletivas e dissipativas. As praias refletivas tendem a dominar as regiões abrigadas (e.g. Canal de São Sebastião), mas o tamanho do sedimento disponível parece ser mais importante na determinação do estado morfodinâmico das praias protegidas, uma vez que também ocorrem praias dissipativas nesses locais. As praias intermediárias apresentam-se sempre em locais expostos. Observou-se a coincidência de mais de 70% da interpretação das imagens das praias do Estado de Santa Catarina e do Litoral Norte do Estado de São Paulo com dados de campo disponíveis na literatura. Conclui-se assim que a interpretação de imagens aéreas é um excelente método para determinar indiretamente o estado morfodinâmico de praias de enseada, desde que se tenha boas imagens e um interprete treinado e com experiência.

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DOI: http://dx.doi.org/10.14210/bjast.v15n2.p13-28

(eISSN: 1983-9057, ISSN: 1808-7035)