Deixar morrer para manter a economia: necropolítica e pandemia

José Isaías Venera, Eduardo Silva, José Roberto Severino, Jorge Felipe Henríquez Chamorro

Resumo


Este artigo é resultado de uma pesquisa em andamento, de natureza qualitativa, que tem como objetivo analisar os discursos do presidente da república, Jair Messias Bolsonaro (sem partido), em suas lives semanais, tendo como recorte desde o primeiro vídeo, de 27 de fevereiro de 2020, após o primeiro caso de Covid-19 no Brasil, em 26 de fevereiro de 2020, até o último do primeiro semestre, em 25 de junho de 2020. No centro da análise, estão as relações das falas do presidente com a desinformação, aproximando as práticas discursivas da necropolítica, conceito desenvolvido pelo filósofo camaronês Achille Mbembe. Ao todo, foram 15 lives analisadas com foco na pandemia e na nomeação, pelo presidente, de fake news às críticas recebidas pelos órgãos de imprensa. Com a pesquisa, considera-se que o presidente usa a expressão fake news para desqualificar as críticas recebidas, ao passo que produz sistematicamente desinformação para minimizar a pandemia. Sua posição discursiva faz com que os trabalhadores, aqueles que contribuem com a produção, sejam incluídos no devir negro, ou seja, na produção e naturalização da morte que poderia ser evitada.


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DOI: https://doi.org/10.14210/rbts.v8n1.p%25p

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