A FADIGA DAS PALAVRAS E O ESPÍRTO LIVRE

Lúcia Schneider Hardt

Resumo


A FADIGA DAS PALAVRAS E O ESPÍRTO LIVRE Resumo: As palavras indicam autoridade para medir, classificar e regular a vida das pessoas, dos currículos, da cultura. Paradoxalmente a sensação é de fadiga, as palavras parecem cansadas, já não querem mais ser pronunciadas no processo de repetir o que já está dito. A fadiga fica potencializada pelo cansaço da verdade e pela desistência da novidade. O que fazer quando cansamos de usar palavras, pois elas parecem capturadas pelo desejo de pronunciar algum tipo de verdade. A vontade de saber tem se convertido em uma vontade de repetir. O que fazer com a fadiga então? Parece precisamos desviar as palavras da velocidade, da pressa, dos espaços qualificados que legitimam os discursos. As palavras velozes estão atropelando-se para disputar o espaço do direito a visibilidade. Como inserir palavras mais vagarosas que precisam de mais tempo para ser pronunciadas? O silêncio entre as palavras, entre os parágrafos, mais que interrupção são gestos de reflexão, de maturação para dizer o que ainda possa ter sentido e significado. Diante da fadiga parece ser necessário como diz Nietzsche deixar-se levar por um “ rebelde, arbitrário, vulcânico anseio de viagem, de exílio, afastamento, esfriamento, enregelamento, sobriedade, um ódio ao amor, talvez um gesto e olhar profanador para trás...” para nessa viagem, sem pressa, com vagar, pensar de novo o que se tem a dizer e a pensar. Todos lidamos com uma espécie de desejo de esclarecimento, dependente também das palavras. Quando mesmo enganamos e esclarecemos quando falamos em formação humana? A pergunta remete o texto até o alienista de Machado de Assis. Afinal Simão Bacamarte engana ou esclarece sobre a saúde mental? As palavras lhe dão autoridade para medir, classificar e regular a vida das pessoas de Itaguaí. Mas o que acontece mesmo? Nesse cruzamento entre palavras que vão da literatura até o campo pedagógico o texto pretende fazer pensar sobre nossos desejos de formação do outro e a necessidade de desfazer-se de palavras para ganhar o espírito livre. Palavras-chave: espírito livre, educação, fadiga. The fatigue of words and the free spirit Resumo: Words indicate authority to measure, classify and regulate people’s lives, from curricula to culture. Paradoxically, the sensation is one of fatigue – words seem to be tired, not desiring to be pronounced along the process of repeating what has already been said. Fatigue is intensified by the tiredness of truth and by the giving up of novelty. What to do when one gets tired of using words, since they seem to be captured by the wish to pronounce some kind of truth? Desire to know has turned into desire to repeat. So what to do about the fatigue? It seems that we have to separate words from the speed, the hurry of the qualified spaces that legitimate discourses. Fast words area running over each other to dispute the right to visibility. How to insert slower words that need more time to be pronounced? Silence between words, between paragraphs, more than interruptions, are reflection gestures, similar to what Nietzsche said, that is, letting one go with the “rebel, arbitrary, volcanic anguish for travelling, for exile, distance, cooling, sobriety, a hate for loving, maybe a devastating gesture and look back (…)”, so that in this voyage, with no hurry, slower, we think again about what one has to say and think. We all deal with a desire for clarification that also depends on words. How do we clarify when we speak about human formation? This question takes us to the text O alienista, by Machado de Assis – does Simão Bacamarte misguide or clarify us about mental health? Words gave him the authority to measure, classify and regulate the life of Itaguaí’s people. But what really happens? In this crossing between words that come from literature until the pedagogic field the text intends to make us think about our desire of forming the other and the necessity of giving up words in order to get to the free spirit. Keywords: free spirit, educacion, fatigue.

Palavras-chave


educação, espírito livre, fadiga

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DOI: https://doi.org/10.14210/contrapontos.v13n1.p61-68

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