As marcas e as propriedades dos discursos sobre sujeitos que "não aprendem"

Regina Célia Linhares Hostins

Resumo


O artigo busca analisar os discursos pedagógicos sobre sujeitos que “não aprendem”,
evidenciando suas contradições e condições de produção. Sua principal fonte de
análise são relatórios pedagógicos que encaminham alunos das escolas da rede regular
de ensino de Santa Catarina para o Serviço Especializado de Apoio Pedagógico. Os
discursos mereceram um estudo aprofundado no sentido de compreender: como e
por que são produzidos? Em que condições são produzidos? O que expressam das
relações sociais? Procurou-se aprofundar o diálogo com interlocutores como Vygotsky
e Bakthin, expandindo-se as possibilidades de análise mediante articulações com
estudos no campo da história e da sociologia – com as obras de Thompson, Goffmann
e Castel – bem como com estudos de Eni Orlandi no campo da análise do discurso.
O processo de pesquisa consistiu na descrição e análise dos textos (relatórios
pedagógicos), elaborados por professores e especialistas das escolas regulares, no
sentido de rastrear sua conexão íntima e identificar as suas marcas e propriedades
discursivas. Nesses discursos observaram-se, num olhar mais detido, as contradições
que permeiam esse jogo instável de sentidos, no qual se encontram não só as palavras
do outro, ocultas ou semi-ocultas nas palavras de professores e especialistas, mas
também as opiniões que se produzem na vida cotidiana, o sistema de crenças e
superstições, as tendências teóricas, a ciência e a política

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