Materiais pedagógicos e tecnologias: avanços e obstáculos na formação continuada em Educação Ambiental

Antonio Fernando Silveira Guerra, Salete de Fátima Belusso Moser

Resumo


O artigo propõe uma análise da utilização de materiais impressos, audiovisuais e digitais para Educação Ambiental (EA), disponibilizados para um grupo de professores em processo de formação continuada no Projeto ‘Formação de Educadores ambientais na micro-região da Associação de Municípios da Foz do Rio Itajaí-Açu - AMFRI/ SC’ (UNIVALI - CNPq - 2004-2005). Foi selecionada uma amostra de 5 escolas de 4 municípios da região da AMFRI para acompanhamento. Para o curso, foram registrados 407 materiais impressos, audiovisuais (revistas, livros, fôlderes, jogos, vídeos) e digitais (sites e CD-ROMs), classifi cados por temas e disponibilizados aos professores em lista impressa e em um Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), o TelEduc (www.teleduc.univali.br). Dos 100 materiais para Educação Infantil e séries iniciais, foram selecionados 25 títulos, analisados segundo as categorias propostas por Trajber & Manzochi (1996). Foram priorizados também aqueles que permitiam o desenvolvimento de hábitos e atitudes, bem como de valores e a tomada de consciência da problemática ambiental, incorporando-a ao cotidiano da escola. A análise dos materiais produzidos pelos professores nos projetos das escolas seguiu as mesmas categorias e verifi cou-se a coerência entre o discurso e a prática. Estes materiais enfocaram as dimensões cognitiva, afetiva, ética e estética, indicando que a consciência crítica sobre a problemática ambiental estava sendo incorporada ao dia-a-dia das escolas. No entanto, observou-se que o maior obstáculo para utilização dos materiais disponibilizados no ambiente virtual do TelEduc foi a difi culdade de acesso dos professores à Internet, mesmo que computadores tenham sido disponibilizados nas Secretarias de Educação de dois municípios, na universidade e na Gerência Estadual de Educação da Região de Itajaí. Outros obstáculos apontados foram a falta de tempo e as difi culdades de incorporar, em um currículo disciplinar, a Educação Ambiental de forma transversal. Percebeu-se que as atividades e materiais utilizados enfocando temáticas como a reciclagem, consumo, água e saneamento, não se resumiram à memorização de informações e conhecimentos. Foram exploradas com os alunos diferentes habilidades mentais e dado um enfoque especial às dimensões cognitiva e afetiva, bem como a dimensão ética. Isto proporcionou aos professores e alunos uma refl exão política sobre a problemática socioambiental e refl exão-ação sobre as próprias práticas, mudanças de atitudes e hábitos, levando-os a compreender melhor a complexidade dos relacionamentos e confl itos entre ser humano <> sociedade <> natureza.

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