A “MENTALIDADE ALARGADA” E OS MIGRANTES: REFLEXÕES A PARTIR DO PENSAMENTO POLÍTICO DE ARENDT

Eduardo Jose Bordignon Benedetti, Sônia Maria Schio

Resumo


No pensamento de Hannah Arendt (1906-1975), a imaginação é um requisito para a compreensão, sendo a experiência e o exemplo fundamentais para a percepção da alteridade. Arendt retoma a ficção da “mentalidade alargada”, desenvolvida incialmente por Kant no âmbito da Estética, de maneira que o ato de "colocar-se no lugar do outro", mesmo que mentalmente, torna-se um exercício necessário para a capacidade judicante porque permite a representação de todos os juízos possíveis para determinada situação. Assim, a hipótese a ser desenvolvida relaciona estética e política a fim de refletir acerca dos movimentos migratórios da atualidade - assumindo que eles contribuem para a difusão de normas cosmopolitas (como as de Direitos Humanos, por exemplo). Nesse sentido, para que os Direitos Humanos sejam efetivos é necessário o respeito às diferenças culturais dos povos que habitam o Planeta, sendo imprescindível a adoção de uma perspectiva baseada na condição humana da pluralidade que possibilita a manifestação da singularidade.


Palavras-chave


Arendt; Política; Mentalidade alargada; Migrações.

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DOI: http://dx.doi.org/10.14210/rdp.v14n2.p265-290

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